domingo, 28 de setembro de 2014

Crônica: Sra. Nostalgia

                                Foto do arquivo pessoal da escritora
 

Por: Tayane Sanschrí

Tem dias que a Sra. Nostalgia bate em minha porta, segundo ela, para fazer uma destas visitas rápidas.
Sei, sei ... Ela se apropria do meu sofá, igual cachorro marcando território, só ela encosta, e não mais quer sair.
Chego a pedir para minha mãe virar uma vassoura de ponta cabeça, uma superstição besta, mas que coincidentemente resolve, a fim de que ela parta de uma vez, de preferência, sem olhar pra trás. Senão é bem provável que eu tenha que comprar todo o estoque de lenços de papel do mercado da minha rua, caso ela resolva ficar.
Os lenços de papel são a salvação, pois ora choro por lembrar dos amores que eu deixei; ora choro por lembrar dos amores que amei sozinha.
E quando estas lembranças vêm, convidadas pela Sra. Nostalgia, eu sempre as pergunto: ‘Por que as pessoas falam do amor como se fosse um bilhete para adentrar no resort mais bonito do país? Eu comparo o amor com um dia adoentada: dor nos músculos, enjôo, sono demais ou de menos, boca amarga e taquicardia’.
O silêncio é estarrecedor.
Nenhuma palavra sequer... Nenhum suspiro como anúncio de que as minhas lembranças de amor serão guardadas numa bela caixinha de música, cor de rosa, diga-se de passagem. Quem sabe, assim, guardando-as, todo esse desconforto seja transformado em melodia. Por que transformando em melodia, caso eu sinta saudades, pego a caixinha e ouço a melodia até cair no sono, embalada pelo amor. Mas, nada, só ouço o cri-cri dos grilos vindos do quarto da minha mãe.
Quer saber darei uma de mal-educada, vou para a cama me deitar; tomarei o chá milagroso, de camomila, da minha avó - que de milagroso não tem nada, pois demoro cerca de 2 horas pra cair no sono - e pensarei nos afazeres de amanhã.
São tantas as atividades para eu enumerar, que logo, logo, a Sra. Nostalgia se toca e quando percebo ela já foi embora, sem ao menos dizer até logo.
Por via das dúvidas deixarei o meu celular ligado, vai que ela resolve vir na madrugada e sempre tem um amigo, disposto a nos consolar nestas horas, afinal, meus lenços de papel acabaram.

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