domingo, 18 de janeiro de 2015

O olhar que lhe entrega


A primeira coisa que ele resolveu fazer, para mostrá-la que não guardava mais as lembranças daquela história de amor, foi evitar olhá-la nos olhos, quando vez ou outra a vida se incumbia de lhes possibilitar encontros casuais por aí.
Eles se acariciavam tão docemente com o olhar, mesmo depois de decidirem não mais continuar o romance, que os olhos alheios os observavam atentamente.
Não era fácil disfarçar!
Nem os sorrisos esboçados, nem o arrepio que lhes chegavam, fazendo-o estremecer em silêncio, eram possíveis de controlar. Com o tempo ele, então, decidiu que melhor seria evitar os olhos ingênuos que ela tinha. Porque, assim, não saberia sobre o quanto ela, ainda, o desejava, tão pouco ouviria daqueles olhos brilhantes sobre a saudade que ela sentia.
Se os olhos são o espelho da alma, aqueles refletiam coisas mágicas que ele adorava sentir, que melhor era evitá-los, afinal, a vida os colocavam à prova o tempo inteiro, em encontros corriqueiros.
Tolice!
Ele a observava atentamente quando ela se distraia, por um momento, e assim, gravava em sua memória, toda a graciosidade daquele amor.
Mas, ele disfarçava, ou ao menos tentava, mesmo sabendo que ela notava, pois era inevitável os seus lábios não se contraírem, revelando um sorriso tímido, por tê-la encontrado mais uma vez!
Que destino mais arteiro, ela tinha que morar, justamente, do outro lado da rua, da sua casa; o lado que ele todo dia percorria para ir trabalhar.
Esse deveria ser o seu castigo, a magoou tanto!

Tayane Sanschrí

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