quarta-feira, 18 de março de 2015

O primeiro encontro marcado



Talvez por guardar as palavras dentro de si, por medo de parecer envolvida demais, ela sorriu quando sentiu que ele desejava tê-la em seus braços.
Era desse jeito que ela teimava em sentir o amor. Como um cobertor macio que aquece o corpo nas noites geladas de inverno. E ela tinha a possibilidade de cuidá-lo, mas, o medo da entrega absoluta que ele alimentava, a fazia recuar.
Talvez não durasse a vida inteira, mas, era vital a condição que a vida impôs para ambos: saborear aquela troca intensa que acontecia, meses antes do possível primeiro encontro.
Ela esperou docemente.
Cada frase dita, cada afago iluminava os seus olhos de moça bonita, que já não acreditava mais no amor, até o dia em que o conheceu.
Apresentado por um amigo, numa destas redes sociais que criam laços frouxos e sólidos entre as pessoas, ela se permitiu ser inundada de querências e bem querer até antes não sentidos, agora despertados pelo moço de sorriso largo.
Seria o sorrir com os olhos a representação fiel do que seja amar com leveza?
Se não fosse, ela decretaria a partir de então, tamanha era a sensação de paz que ambos provocavam um no outro.
Era tão mágico de se ver aquela espera pelo primeiro encontro que ele bordava junto com ela - a fim de ser inesquecível - flores nas palavras, para durar em todas as estações do ano.
Mas, como se a vida quisesse fazer valer a condição de que "nada é perfeito", ele encarcerou-se na dúvida. Um antigo bem querer se fez presente, e bagunçou o que antes parecia certeza.
Que horas marcadas os instantes se fizeram!
Os ponteiros do relógio se arrastavam, talvez por ela intuir que o amor estava habilitado a nao estar mais disposto.
Mas, ela sabia que amores bonitos deveriam ter despedidas bonitas pra ficar na memória de quem teve a chance de "conhecer" alguém assim.
Então, ela percebeu que era hora de ir embora. Pra sempre, talvez. Pois, ele, nunca foi metade, e, agora, não queria consumar o tão esperado e desejado primeiro encontro.
Sendo assim, que ele pudesse ser o inteiro dela, em outra vida, quem sabe.

Tayane Sanschrí

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