terça-feira, 21 de abril de 2015

Aquelas carícias



A primeira postura que ela resolveu ter, a fim de que ele notasse que já não guardava sequer uma possível saudade dos dois, foi evitar encontrar os olhos dele, nos esbarrões que a vida lhes promovia.
Em todo esbarro, os olhos amendoados e expressivos dela enxergavam um fio de esperança nos olhos negros daquele moço que um dia foi primavera em sua vida.
O carinho daqueles olhos a fitando eram tão intensos que ela ficava atônita.
Quem os observasse, por um segundo, perceberia que ali havia, perdido no tempo, uma singular história de amor.
Não era fácil disfarçar, mas ela se esforçava. Nem os sorrisos que lhes rasgavam a alma eram possíveis de segurar. Sempre tomavam forma em seu rosto. Ele provoca,sim, sorrisos.
Mas, ela sabia que alimentar aqueles olhos repletos de esperança, não seria uma boa escolha. Não era mais primavera dentro dela, o outono já se instalara fazia tempo, e seu  coração se desfolhava para se renovar.
Fitá-lo era inevitável, pois, os olhos daquele homem que um dia lhes prometeu as estrelas mais brilhantes, refletiam o arrependimento pelas promessas quebradas, pelas horas em que lhes arrancou lágrimas.
Só não fazia mais sentido dar nova roupagem para uma história de amor que havia morrido. O certo era enterrar e plantar novas flores. A primavera sempre volta, com novos perfumes, novas cores e outras histórias.
Perdida com tais encontros, corriqueiros, que a vida, ora resolveu propiciar, ela decidiu, naquele dia, olhar nos olhos dele e revelar que já não o amava mais.
Se os olhos são capazes de refletir o que coração diz, que de uma vez por todas, ele enxergasse o quão feliz ela estava sem ele.

segunda-feira, 13 de abril de 2015


O Tempo


- E aquele moço de sorriso largo,que você tanto se encantou, Catarina?!
- O que tem?!
- Por que não tentou viver algo com ele?!
- Ele escolheu viver outra história de amor.
- Assim?! De repente?...

- Tive medo de me perder. Ninguém fez eu sentir algo tão bom quanto ele. Guardei o amor pra mim. Eu o perdi.
- Talvez, Catarina, você não o tenha perdido. Talvez ele não estivesse pronto pra você... Talvez você não estivesse pronta pra ele. A vida surpreende, Catarina.

 
Tayane Sanschri