sábado, 15 de agosto de 2015

Carta para um coração partido



Tantas outras milhões de vezes a história se repetiu, e você continuou a acreditar que algo mudaria. De que no próximo abraço dele, ou olhar nos olhos e sorriso, seria diferente, que voltaria a ser como era antes. E você sozinha começou a pregar a ladainha de que havia encontrado a sua alma gêmea.
É este resquício de esperança que te faz permanecer; condição, na maioria das vezes, descabida aos olhos da razão.
Talvez por associar o amor às lutas constantes, a insistência, às dores, você decida que sem sofrimento não existe amor. Quem escreve isso, na verdade, são alguns poetas, que muitas vezes tentam pincelar suas dores, com cores diversas para amenizar as perdas. Mas, na prática amor algum deve suportar as brigas incessantes, aos vai e vens infinitos, as traições seguidas de pedidos de perdão elaborados;  eis muitas provas de que amor não há mais (ou de que nunca houve).
Deve estar tão acostumada a ele, que parece difícil deixá-lo ir embora, ou você ir embora. Eu sei, que o olhar de carinho dele se tornou necessário a tal ponto, que a todo momento você busca uma ponte para ser usada como meio de superar as discussões, incompreensões, e traições.  Por vezes, com todas estas premissas, ainda, assim, você teima em acreditar que está diante do amor de sua vida.
Taí porque que dizem que o amor é cego. Que a meu ver não tem nada com beleza, mas, sim, com a condição de não sermos capazes de enxergar a realidade estampada bem debaixo dos nossos narizes. E, é aí que acontece a grande merda, você passa mais tempo anestesiada, convencida de que aquele cara é o ideal de amor eterno, mesmo que ele te revele em suas atitudes que tudo não passou de uma grande ilusão, que a cegueira se torna o seu remédio diário para tentar curar essa dor.
Só resta, então, uma coisa, minha amiga: arregale os olhos, retire a película que você usa e desfaça a construção de amor que você mesma elaborou. Aceite os fatos. Viva a realidade sem enfeites.
O amor vai além. O amor é razão. Amor é consciência de que o outro não tem obrigação alguma de te fazer (eternamente) feliz.  Mas, de estar feliz ao seu lado.
E se conforme de que ele pode (e deve) ser feliz em outros braços, abraços, coxas e palavras. Como você, também. Vai ser feliz.
Amor é abrir mão do outro, e amar a si mesmo. É ir embora. É voltar a ser você.

                                           Tayane Sanschrí


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