terça-feira, 27 de outubro de 2015

EU SÓ QUERIA TE DIZER


Tenho uma saudade gigantesca das coisas que ainda não vivi... com você. Vez ou outra toma conta das minhas horas e borda sorrisos, quando me vejo assim.
Não vivemos, não por falta de vontades, desejos, ou planos, mas pela pouca coragem... e, pela distância calculada entre os territórios em que nos encontramos.
Mas, isso não é premissa para que impeça que essa saudade se instale, descontrole e não nos faça sentir, assim, distantes, o que as palavras buscam permitir, como se a rota fosse um mero detalhe... Insignificante. Permissão essa que arrepia a pele, aflora os sentidos e nos deixa perdidos.
Eu só queria te dizer que sinto saudade desse teu riso de paz, que faz meus lábios desejarem, ainda mais, a tua boca sugando a minha. E dos afagos que tuas mãos desejariam fazer, quando eu fechasse os olhos pra me entregar a você. 
Desenho na memória o nosso possível primeiro encontro, para aguçar essa saudade sem fim; um jantar, regado a combos de sushis e sashimi, porque não teria erro de não ser o melhor, inundado de gargalhadas por te ver fazer graça pelos tropeços da vida. Sem esquecer da garrafa de vinho do porto, o melhor que já bebi, para molhar os meus lábios, e tornar o toque da minha língua o mais delicioso que puder sentir. 
Arrepio só de imaginar que essa espera seria a melhor que o tempo poderia realizar. Me entonteceria sentir teu hálito doce sussurrando coisas que eu gostaria de ouvir, pra me fazer queimar por inteira , porque este desejo, sabemos, contornava cada diálogo nosso, sem pudores.
Queria muito te dizer que te daria paz, mesmo que numa noite fria, em meio aos lençóis, aquecidos por nossos corpos, com o cheiro adocicado, da minha pele, impregnado em você; e os teus dedos dedilhando o meu corpo, contornando cada curva minha, descobriria os prazeres que me tornariam tua, sem nenhum esforço e então, eu desfaleceria. E dentro dos teus braços, eu permaneceria, até amanhecer, porque não seria inesquecível, como assim te prometi, se eu não te despertasse entre beijos e carícias, só pra te dizer: _ Faz amor comigo?! Gruda na minha memória o teu gosto como música boa de ouvir. Seja eterno assim!

Tayane Sanschrí

sábado, 17 de outubro de 2015

QUANDO A VIDA PROMOVE UM REENCONTRO COM UM EX AMOR



Fazia tempo que eu não te via, que os meus olhos não repousavam nos teus.
Foi um encontro casual. Destes que não imaginamos que aconteceria.
Meu corpo estremeceu; não pela expectativa em poder encontrá-lo, como era de praxe, para matar a saudade, mas, pelo desconforto da circunstância, e ser obrigada a te cumprimentar. Eu não queria.
Bem que dizem que nosso melhor amigo, para a cura dos amores rasos, é o tempo. Ele enxuga todas as lágrimas que a nossa alma teima em deixar rolar por um amor que não foi. E, confesso, eu chorei, dias a fio, sem intervalo para dar descanso aos meus olhos, para ficarem enxutos e sentir o sol.
Seus lábios esboçaram um sorriso no canto da boca. Os meus se contraíram, revelando a decepção pelo destino ter armado aquele contratempo.
Preferia não te reencontrar. Não queria responder a tua pergunta boba de “como vai você?”.
Não guardo mágoa dentro de mim, mas as memórias do que fomos são latentes, ainda. Parece filme esperado, em que a película é rodada diversas vezes ao dia.
Você que segurou na minha mão, quando eu me permiti sentir o amor, e que me fez acreditar que eu era especial em suas horas; de repente, enterrou os sorrisos que você mesmo provocou.
“Vou, sim”, eu respondi. Entre dentes, um sorriso sem graça, forçado, por estar ali na contramão da vida.
Meus grandes olhos amendoados não estacionavam mais nos seus como de costume. Meu riso era frouxo e sem cor. Aquela voz doce que é minha marca, deu lugar a firmeza, como certeza de que feliz eu estava sem você.
Quem diria que aquele que um dia me encheu de alegria ao me encontrar, seria só mais um, no meio da multidão.
O silêncio ficou suspenso no ar. Meu desagrado era visível, sua alegria entusiasta era notada. Eu só queria sair dali e poder nunca mais esbarrar em você pelas alamedas da vida.
Não era questão de orgulho, ou destas coisas tolas que costumamos nos convencer para catar esperança num amor que pouco existiu, era questão de amor próprio. Eu que sempre escolhi demais um alguém para amar, acabei decidindo por um que me deixou em frangalhos.
Você não aceitou ser um encontro breve, quis provocar uma conversa, como se fossemos amigos. Quis saber dos meus dias, do que eu fazia, e dizer do quanto eu estava linda e feliz.
Que bom que você notou, por que eu realmente estava feliz, e não era você quem promovia aqueles sorrisos em mim.
Demorei de curar meu coração, que se despedaçou e nenhum prazer vivido parecia ser capaz de sanar suas feridas, nenhum afago era bálsamo para a minha alma.
Agora ele estava restabelecido!
Pude notar a sua frustração por não ter sido um reencontro cheio de abraços, apertos de mão, olhos no olhos, ou chances tamanhas de possíveis horas para um café.
Você foi uma pausa na minha vida, da qual não quero lembrar. Quanto a esta tarde: um mero acaso. Impossível de acontecer uma segunda vez.
Tayane Sanschrí

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre ser inesquecível para alguém


Toda história de amor tem um começo e um fim: “feliz enquanto durar”, ou “felizes para sempre”.
De uma forma ou de outra, espera-se que todo amor seja verdadeiro: em palavras, gestos, sorrisos, esperas e planos.
O pra sempre pode se tornar breve; e o que parecia breve, muitas vezes, fica pelo resto da vida.
E não há nenhum tarólogo, vidente ou bola de cristal que te garanta que em fulana você deve ou não apostar todos os seus sorrisos, brilho no olhar ou pulsar acelerado de quando se encontram. Ninguém irá te poupar de qualquer possível sofrimento; ninguém te avisará, antecipadamente, de que serás surpreendido em todas as manhãs, com o melhor carinho, se decidir por beltrana, ao invés de cicrana.
Há, sim, a possibilidade de você ser inesquecível, no presente do indicativo. De cuidar e de fazê-la feliz, enquanto puder.
De ser calor debaixo dos lençóis, de ser beijo quente que arrepia a pele. De arrancar-lhes os mais doces suspiros, e gargalhadas desmedidas por ter sujado o nariz dela com aquele sorvete de baunilha que ela tanto gosta, e que você precavido tem na sua geladeira. De fazê-la sorrir com as carícias quentes depois de uma garrafa de vinho, aberta só para brindar mais um dia juntos. Terá aquele CD especial que você adquiriu só pra vê-la se balançar, sentada no banco do carona do seu carro, quando você puser para tocar.
Sem falar nas oportunidades de toques suaves na pele, de beijo na testa, de beijar o sorriso, só pra vê-la olhar nos olhos e lhes dizer sobre o quanto você a faz bem.
Terá as chances de passeios pelo shopping, com as mãos entrelaçadas, só para satisfazer a vontade dela de sair para comer um sanduíche, no stand mais disputado da praça de alimentação; haverá carinho no rosto quando ela assistir um filme de amor, recostada em seu colo, no sofá em frente à TV; sem falar naquele aperto na sua mão, como pedido de proteção, por se assustar com a cena mais boba que possa existir, mas, que a fez sentir medo.
Haverá mudanças repentinas de planos, pois ela estará de TPM, e irá querer ficar na cama de moletom, largada, enquanto você a observa em suas oscilações de humor.
Terá as inúmeras mensagens de “dirige devagar”, “cuidado, amor”, “promete que não vai?” todos os dias antes e depois de você chegar em casa. Além, dos abraços apertados só para ela se sentir segura, acolhida quando algo que ela quis muito não deu certo.
Tudo isso será tão grandioso quanto o brilho no olhar dela, quando você a surpreender, no meio da tarde, estacionado em frente a sua casa, só para dizer que estava morrendo de saudades.
O que importará para ela, no final das contas, não será o tempo das coisas, mas, o quanto foi inesquecível vivê-las.
E você só terá a ganhar.
Tayane Sanschrí