sábado, 17 de outubro de 2015

QUANDO A VIDA PROMOVE UM REENCONTRO COM UM EX AMOR



Fazia tempo que eu não te via, que os meus olhos não repousavam nos teus.
Foi um encontro casual. Destes que não imaginamos que aconteceria.
Meu corpo estremeceu; não pela expectativa em poder encontrá-lo, como era de praxe, para matar a saudade, mas, pelo desconforto da circunstância, e ser obrigada a te cumprimentar. Eu não queria.
Bem que dizem que nosso melhor amigo, para a cura dos amores rasos, é o tempo. Ele enxuga todas as lágrimas que a nossa alma teima em deixar rolar por um amor que não foi. E, confesso, eu chorei, dias a fio, sem intervalo para dar descanso aos meus olhos, para ficarem enxutos e sentir o sol.
Seus lábios esboçaram um sorriso no canto da boca. Os meus se contraíram, revelando a decepção pelo destino ter armado aquele contratempo.
Preferia não te reencontrar. Não queria responder a tua pergunta boba de “como vai você?”.
Não guardo mágoa dentro de mim, mas as memórias do que fomos são latentes, ainda. Parece filme esperado, em que a película é rodada diversas vezes ao dia.
Você que segurou na minha mão, quando eu me permiti sentir o amor, e que me fez acreditar que eu era especial em suas horas; de repente, enterrou os sorrisos que você mesmo provocou.
“Vou, sim”, eu respondi. Entre dentes, um sorriso sem graça, forçado, por estar ali na contramão da vida.
Meus grandes olhos amendoados não estacionavam mais nos seus como de costume. Meu riso era frouxo e sem cor. Aquela voz doce que é minha marca, deu lugar a firmeza, como certeza de que feliz eu estava sem você.
Quem diria que aquele que um dia me encheu de alegria ao me encontrar, seria só mais um, no meio da multidão.
O silêncio ficou suspenso no ar. Meu desagrado era visível, sua alegria entusiasta era notada. Eu só queria sair dali e poder nunca mais esbarrar em você pelas alamedas da vida.
Não era questão de orgulho, ou destas coisas tolas que costumamos nos convencer para catar esperança num amor que pouco existiu, era questão de amor próprio. Eu que sempre escolhi demais um alguém para amar, acabei decidindo por um que me deixou em frangalhos.
Você não aceitou ser um encontro breve, quis provocar uma conversa, como se fossemos amigos. Quis saber dos meus dias, do que eu fazia, e dizer do quanto eu estava linda e feliz.
Que bom que você notou, por que eu realmente estava feliz, e não era você quem promovia aqueles sorrisos em mim.
Demorei de curar meu coração, que se despedaçou e nenhum prazer vivido parecia ser capaz de sanar suas feridas, nenhum afago era bálsamo para a minha alma.
Agora ele estava restabelecido!
Pude notar a sua frustração por não ter sido um reencontro cheio de abraços, apertos de mão, olhos no olhos, ou chances tamanhas de possíveis horas para um café.
Você foi uma pausa na minha vida, da qual não quero lembrar. Quanto a esta tarde: um mero acaso. Impossível de acontecer uma segunda vez.
Tayane Sanschrí

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