quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Sobre ser inesquecível para alguém


Toda história de amor tem um começo e um fim: “feliz enquanto durar”, ou “felizes para sempre”.
De uma forma ou de outra, espera-se que todo amor seja verdadeiro: em palavras, gestos, sorrisos, esperas e planos.
O pra sempre pode se tornar breve; e o que parecia breve, muitas vezes, fica pelo resto da vida.
E não há nenhum tarólogo, vidente ou bola de cristal que te garanta que em fulana você deve ou não apostar todos os seus sorrisos, brilho no olhar ou pulsar acelerado de quando se encontram. Ninguém irá te poupar de qualquer possível sofrimento; ninguém te avisará, antecipadamente, de que serás surpreendido em todas as manhãs, com o melhor carinho, se decidir por beltrana, ao invés de cicrana.
Há, sim, a possibilidade de você ser inesquecível, no presente do indicativo. De cuidar e de fazê-la feliz, enquanto puder.
De ser calor debaixo dos lençóis, de ser beijo quente que arrepia a pele. De arrancar-lhes os mais doces suspiros, e gargalhadas desmedidas por ter sujado o nariz dela com aquele sorvete de baunilha que ela tanto gosta, e que você precavido tem na sua geladeira. De fazê-la sorrir com as carícias quentes depois de uma garrafa de vinho, aberta só para brindar mais um dia juntos. Terá aquele CD especial que você adquiriu só pra vê-la se balançar, sentada no banco do carona do seu carro, quando você puser para tocar.
Sem falar nas oportunidades de toques suaves na pele, de beijo na testa, de beijar o sorriso, só pra vê-la olhar nos olhos e lhes dizer sobre o quanto você a faz bem.
Terá as chances de passeios pelo shopping, com as mãos entrelaçadas, só para satisfazer a vontade dela de sair para comer um sanduíche, no stand mais disputado da praça de alimentação; haverá carinho no rosto quando ela assistir um filme de amor, recostada em seu colo, no sofá em frente à TV; sem falar naquele aperto na sua mão, como pedido de proteção, por se assustar com a cena mais boba que possa existir, mas, que a fez sentir medo.
Haverá mudanças repentinas de planos, pois ela estará de TPM, e irá querer ficar na cama de moletom, largada, enquanto você a observa em suas oscilações de humor.
Terá as inúmeras mensagens de “dirige devagar”, “cuidado, amor”, “promete que não vai?” todos os dias antes e depois de você chegar em casa. Além, dos abraços apertados só para ela se sentir segura, acolhida quando algo que ela quis muito não deu certo.
Tudo isso será tão grandioso quanto o brilho no olhar dela, quando você a surpreender, no meio da tarde, estacionado em frente a sua casa, só para dizer que estava morrendo de saudades.
O que importará para ela, no final das contas, não será o tempo das coisas, mas, o quanto foi inesquecível vivê-las.
E você só terá a ganhar.
Tayane Sanschrí

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