quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

ESSA COISA BOA DE TER UM AMOR


Nunca desejei ter amores que precisassem de uma infinidade de provas de que ali havia amor. Ou que fizessem aquelas surpresas românticas, de novelas e filmes, o tempo inteiro para poder mostrar ao mundo que o nosso amor era maior ou mais bonito. Tenho uma sólida sensação de que as pessoas que vislumbram este tipo de coisa nunca amam com intensidade, mas de uma forma rasa; parece que ficam a espera de um personagem que se encaixe perfeitamente no enredo que criou, para viver aquela história de contos de fadas que esboçou na parede do quarto, quando menina. E estas histórias sempre tem um ponto final muito dolorido. Normalmente porque o outro não é aquilo que desenhamos, em nossas horas vagas, longe dele.
Sim, surpresas românticas são bem vindas, sempre. Eu mesma já recebi e fiz, também. Eu tinha um namorado, mais novo do que eu, a gente só se encontrava nos finais de semana. Era uma quarta-feira, eu parei do outro lado da rua, na frente do prédio dele, e telefonei: “Amor, desce aí, eu não aguento mais de saudades de você”. Ele nunca imaginou que eu o surpreenderia assim, e talvez, por isso, foi o melhor dia naquela semana. Surpreender é nunca esperar o que o outro vá fazer de bom na relação.
E, querer viver o tempo inteiro como se estivesse numa corda bamba que mal cabe à sola do pé, só pra dar a sensação de frio na barriga, porque apesar de se ter certa intimidade não se sabe, exatamente, o que um é pro outro, não me cabe. Eu gosto de certezas. Surpresas para melhorar e incendiar, mas sou colecionadoras de certezas, e não de dúvidas.
Nada se compara a tranquilidade de um amor que ao final do dia, você sabe que estará disposto a dar uma volta com você, por aí, pra saborear, num restaurante da esquina, aquele prato delicioso que vocês tanto gostam. Ou que te abrace forte quando, com os olhos cheios de lágrimas, você estiver confusa sobre o porquê do dia estar sem graça, mesmo que seja efeito de uma TPM que é capaz de te deixar sensível por uma semana inteira.
E aquela sensação boa, que só os amores tranquilos provocam, quando após uma briga, manda no meio do expediente uma mensagem dizendo que não consegue deixar de pensar nos seus beijos?  Só pra garantir inúmeros sorrisos quando você visualizar a mensagem.
Deus me livre de amores que alimentam a alma, e que de repente se convencem de que talvez precise de um pouco mais de tempo pra decidir se quer ficar ou ir, e então, elabora joguinhos que acabam desagastando um sentimento bom. Pra no final, descobrir que quer ficar ao nosso lado; e já ter nos perdido.
Bom mesmo é quando um amor gruda a pele na tua, depois de dias longe um do outro, e sussurra o quanto é bom te ter ali. Enche teus lábios de beijos e te aconchega bem devagar em seu peito. Aquela sensação sublime de proteção, que nos faz perder os sentidos, por alguns segundos, como se ali morasse o melhor amor do mundo, e mora, é a melhor sensação que existe.
Coisa boa, num amor assim, é que ele sabe exatamente qual o lado da cama que você gosta de dormir; e do quanto você adora receber massagens nos pés depois de um dia atribulado no trabalho. Ele sabe muito bem que você detesta café e, então, quando decide te preparar um café na cama, num domingo, não se esquece do seu suco preferido, com pouco açúcar.
Este tipo de amor pode esquecer tanta coisa banal, que mulher implica em querer que lembre, mas, nunca vai esquecer - mesmo que não dure a vida inteira -  de ser o melhor,  todos os dias,  em que estiver com você.
A melhor coisa da vida são os amores, as paixões, não!



Tayane Sanschri

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