segunda-feira, 21 de março de 2016

O PRAZER DA SAUDADE NA PONTA DA LÍNGUA (+18)



Fazia tempo que nossos olhos não se cruzavam, não se esbarravam por acaso pelos lugares que costumávamos nos encontrar, nestes acasos bem elaborados pela vida.
Todavia a saudade permanecia. Fomos daquelas paixões enlouquecidas, que não media esforços para realizar as fantasias que nossos sorrisos costumavam reverenciar em nossas conversas quentes.
Havia uma liga indecifrável entre nós dois, os olhos acarinhavam e as bocas desenhavam em nossos corpos o que prometíamos um ao outro quando vivenciamos nossa relação.
Dizem por ai, que quando o sexo dita o sabor do relacionamento, a tendência é que todo o resto se transforme em fotografia guardada no bolso da calça, ou nos porta-retratos sobre os criados-mudos do quarto, a fim de lembrar que a química alimenta o amor, todo dia.
Sai de casa super atrasada; deixar de ir pra academia não era a minha primeira escolha, quando o dia parecia atribulado com minhas infinitas responsabilidades.
Aquele espaço repleto de corpos suados, cheiros agridoces e música alta, me desligava de todo e qualquer problema.
Era uma tarde quente e como de costume, neste horário, a academia se encontrava praticamente vazia. Normalmente cumprimento as pessoas da recepção e começo o treino do dia.
Meu coração saltou ao se deparar com um olhar habitual, do passado, mas difícil de não fazer estremecer.
Meus lábios esboçaram um sorriso no canto da boca, e o meu olhar desviou do dele rapidamente. Eu não imaginei que o reencontraria naquele dia. Por um instante senti ondas de calor, que eu não sabia se era por conta do mormaço que fazia naquela tarde de começo de outono, ou das lembranças do que vivemos, que inundavam meus pensamentos.
Acomodei-me num aparelho e iniciei o treino.
Não pude conter o riso com os pensamentos fervilhando em minha cabeça, e como se ele tivesse entendido, senti seus olhos me observando pelo espelho. Encontrei-os, mordisquei meus lábios, passando a língua para molhá-los, pois pareciam secos. O dia estava quente demais.
Além do mais, eu não sabia quantas séries e repetições eu executava naquele aparelho. Que foi interrompido por aquela voz mansa, que tantas vezes sussurrou pra mim, debaixo dos lençóis:
- Você falta muito?
Antes que eu pudesse balbuciar qualquer palavra, senti uma das mãos dele percorrer o meu pescoço, ávido e conhecedor de cada milímetro daquele pedaço de pele. Ele sabia que era meu ponto fraco.
Naquela altura eu estava completamente arrepiada, como quem desejasse diminuir o calor que percorria o meu corpo, engoli seco e murmurei:
- Não. Acabei.
Desci do aparelho e pude sentir o seu corpo se encaixando perfeitamente por trás de mim e roçando de leve o meu bumbum, com seu membro enrijecido.
Suspirei, atônita.
Entontecida, esbarrei em alguns aparelhos, peguei as minhas coisas e desci as escadas. Não que não o desejasse, mas, na tentativa de que ele entendesse o quanto eu precisava sentir o sabor daquela saudade na ponta das nossas línguas.
Antes do último degrau, uma mão agarrou o meu braço, me puxou pela cintura e beijou os meus lábios com tanto desejo que não pude conter um gemido.



Tayane Sanschrí

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